Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos

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Cáritas e AMDH fazem incidência política junto a órgãos públicos na Bahia

A Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3 e a Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil (AMDH) realizaram entre os dias 10 e 12 de agosto uma agenda de incidência política junto a diversos órgãos em Salvador (BA). A iniciativa pautou questões centrais da garantia de direitos para povos e comunidades tradicionais da Bahia como o direito ao território, os direitos humanos e socioambientais de forma mais ampla. A comitiva foi integrada por agentes Cáritas, da AMDH e lideranças das comunidades tradicionais da Bahia. Entre os assuntos, foram discutidos os direitos da natureza, direitos fundiários, conflitos agrários, proteção de defensores de direitos humanos, consulta prévia, livre e informada e o direito à autodeterminação. A incidência foi marcada pela abertura de um canal de diálogo com órgãos como a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), Secretaria de Relações Institucionais (Serin), Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater) e a Superintendência de Desenvolvimento Agrário (SDA), ambas vinculadas à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). As agendas também incluíram diálogos com o Ministério Público da Bahia (MPBA), Ministério Público Federal (MPF), INCRA e Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi). Também foram realizadas rodadas de conversa com representantes da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), como a Vice-Presidente Deputada Estadual Fátima Nunes e o Superintendente Marcelino Galo. Fotos: Cleomario Alves | Ascom SJDH Principais lutas dos territórios Entre os principais enfrentamentos das comunidades tradicionais a exemplo de quilombolas, geraizeiras, fundo e fecho de pasto, ribeirinhas, pescadores e marisqueiras, estão a questão em primeira instância a falta de titulação da maioria dos territórios tradicionais, o avanço do agronegócio no Oeste da Bahia e de empreendimentos da mineração e eólicas nas comunidades do Alto Sertão Baiano sem a realização da consulta livre, prévia e informada, como prevê a Convenção 169 da OIT. A invasão de empreendimentos privados também ocorre em outras áreas, como em Antônio Cardoso, ameaçando o modo de vida das comunidades quilombolas. Em Salvador e região metropolitana, as comunidades que vivem da pesca e da mariscagem veem sua forma de sustento ameaçada com a poluição da Baía de Aratu e Ilha de Maré por parte de empreendimentos privados que estão no entorno dos portos marítimos da região. O acesso a políticas públicas de educação, lazer, saúde e transporte também continua sendo aspecto basilar para a garantia mínima de direitos para as pessoas que vivem nestas comunidades e infelizmente não têm acesso ao básico para viver com dignidade. As reuniões foram realizadas com o propósito de dialogar com os tomadores de decisão, a nível estadual também, nos mesmos moldes da agenda de incidência política realizada ocorrida recentemente em Brasília, integrando uma incidência multinível. “Buscamos a garantia e efetivação dos direitos dos povos e comunidades tradicionais e esse caminho é coletivo, por isso priorizamos a participação das lideranças com a formação de delegações para realizar esse diálogo diretamente com esses atores, protagonizando a defesa dos territórios”, destacou a assessora de incidência política da Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3, Lígia Campos. A comitiva levou denúncias aos órgãos e instituições referente aos casos que a Cáritas – por meio do Programa Global: Territórios pela Vida – e a AMDH têm acompanhado a partir dos territórios. O acompanhamento das organizações junto às comunidades tradicionais fomenta ações que vão desde o fortalecimento da dimensão formativa junto à base, passando pelo apoio produtivo até a incidência política na perspectiva da garantia de direitos. Participaram lideranças de comunidades tradicionais de Formosa do Rio Preto, Quilombo Buritizinho, comunidades quilombolas do Alto Sertão, Quilombo Alto do Tororó, Quilombo Rio dos Macacos, Território Quilombola das Umburanas e comunidades quilombolas de Ilha de Maré. Programa Global – Territórios pela Vida A incidência política integra as ações da Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3 por meio do Programa Global Territórios pela Vida – projeto que conecta parceiros do Brasil e da Colômbia com apoio da Cáritas Alemanha e do Ministério Federal Alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ). O objetivo é fortalecer a aplicação dos direitos à terra e socioambientais, ampliar a resiliência às mudanças climáticas e promover ações de incidência multinível de povos e comunidades tradicionais. Somente no Nordeste do Brasil, o projeto abrange 19 comunidades tradicionais nos estados da Bahia e de Sergipe, alcançando cerca de 1200 famílias. São cidadãos e cidadãs quilombolas, pescadores, marisqueiras, ribeirinhos, comunidades de fundo e fecho de pasto e geraizeiros que de forma recorrente têm seus direitos violados. A Cáritas Brasileira e a AMDH A Cáritas Brasileira é uma das 170 organizações-membro da Rede Cáritas Internacional presentes no mundo e nacionalmente é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3 é uma entidade-membro da Cáritas Brasileira e segue a diretriz geral da organização cuja ação está alicerçada na construção solidária, sustentável e territorial de um projeto popular de sociedade democrática e de direitos. Surgida nos anos 2000, a AMDH acompanha e denuncia violações, bem como monitora a situação dos Direitos Humanos no Brasil. A organização trabalha em diferentes frentes de ação como a documentação de casos de violações – construção de relatórios e informes –, denúncia e visibilidade das situações de violações a partir da comunicação e posicionamentos, realiza mobilização e articulação com parceiros locais e nacionais, bem como a formação em direitos humanos, documentação, interlocução e incidência política em nível nacional e internacional e relatórios e informes.  Texto: Comunicação Cáritas

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AMDH articula proteção a lideranças quilombolas e denuncia racismo ambiental em agendas estratégicas em Salvador e Ilha de Maré

Dando continuidade às ações na Bahia, logo após a missão no sudoeste do estado, a equipe da AMDH dedicou os dias 27, 28 e 29 de novembro a uma série de articulações políticas e jurídicas em Salvador e na Região Metropolitana. Acompanhada de parceiros internacionais da sociedade civil alemã (representantes das organizações KoBra e FDCL), a agenda teve como foco central a proteção de defensores de direitos humanos e o enfrentamento ao racismo ambiental. Audiência no MPF: Ameaças e Regularização Fundiária No dia 27 de novembro, a AMDH participou de uma reunião na sede do Ministério Público Federal (MPF), conduzida pelo procurador Dr. Ramiro Rockenbach. O encontro reuniu lideranças de nove territórios quilombolas, incluindo Alto do Tororó, Ilha de Maré, Pitanga dos Palmares, Quingoma, Rio dos Macacos, Boca do Rio, Tatuapara, Riacho de Santo Antônio e Porto Dom João. A reunião retomou pautas críticas discutidas no Fórum em Defesa das Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais, como os impactos climáticos e territoriais que serão levados à COP30 e à Conferência Nacional de Direitos Humanos de 2025. Entre os encaminhamentos práticos, o Incra apresentou o status dos processos de regularização fundiária e as comunidades deliberaram por medidas estruturais, como: Articulação Legislativa e Visita a Ilha de Maré A agenda também incluiu um diálogo no Mandato Popular das Águas, da vereadora Eliete Paraguassu, vinda da comunidade de Porto dos Cavalos (Ilha de Maré). O encontro serviu para estreitar laços e propor a realização de uma audiência pública conjunta no próximo ano, visando dar visibilidade internacional às lutas locais. Finalizando a missão, a comitiva realizou uma visita ao território de Ilha de Maré, onde participou de um “Toxic Tour” — uma ação tradicional das lideranças para evidenciar os impactos da poluição industrial na baía. Enéias da Rosa, Secretário Executivo da AMDH, ressaltou a gravidade da situação de segurança: “Impressiona o nível de ameaça e violência que as lideranças de todas as comunidades tradicionais se encontram hoje na Bahia. É impressionante como o setor privado e o capital econômico interferem e impactam a vida dessas comunidades.” No caso específico de Ilha de Maré, o MPF comprometeu-se a atuar para garantir o cumprimento de sentenças favoráveis à comunidade e promover reuniões com a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) para assegurar o uso adequado da área.

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Consulta prévia e protocolo de consulta: lideranças de Taquaril dos Fialhos e Ilha de Maré discutem pautas em reuniões do MPF e da AATR

Na manhã desta quinta-feira (7), a Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil participou de uma reunião sediada no Ministério Público Federal (MPF) em Salvador, onde foi solicitado esclarecimentos por parte do governo da Bahia sobre a implementação da Consulta Prévia, Livre e Informada, presente na Convenção n° 169 da OIT, em relação a empreendimentos que impactem ou tenham potencial para impactar territórios de povos e comunidades tradicionais no estado.  Foram convocados a prestar estas informações a Casa Civil do Estado, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema/BA), a Procuradoria-Geral do Estado (PGE/BA) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Organizado pelo Fórum em Defesa das Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais na Bahia, a reunião também teve a participação de lideranças comunitárias, membros do Ministério Público, defensorias públicas e outras organizações da sociedade civil.  Além de Enéias da Rosa, secretário executivo, e Gilnei da Silva, assessor de monitoramento de casos, que representaram a Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil, a reunião contou com a presença de representantes de casos acompanhados pela organização no estado da Bahia. Andréia Lisboa e Leila Lôbo participaram em nome da comunidade de Taquaril dos Fialhos. Representando as comunidades de Ilha de Maré, estavam diversas lideranças, incluindo Uíne Lopes e Marizelha Lopes, da comunidade de Bananeiras, além de Eliete Paraguassu, vereadora de Salvador. Esses participantes pautaram a situação da Baía de Todos os Santos (BTS), denunciando os impactos que sofrem diariamente devido à implementação de empreendimentos na região, sem qualquer consulta prévia às comunidades afetadas. Em continuidade da agenda, a Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil acompanhou no período da tarde o debate “Comunidades tradicionais e direitos – intercâmbio das experiências de protocolos de consulta no Brasil e na Colômbia”, promovido pela Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR). O evento teve participações de organizações da sociedade civil e lideranças dos territórios, dentre as quais estava também Andréia Lisboa, representante da comunidade de Taquaril dos Fialhos.  A agenda se mostra como importante e oportuna para potencializar o processo de construção do protocolo de consulta da comunidade de Taquaril dos Fialhos, ação acompanhada pelas próprias AMDH e AATR, e por outras organizações como Cáritas, Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e Associação dos Pequenos Agricultores de Taquaril dos Fialhos (ASPAT).

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Organizações visitam Ilha de Maré e pressionam por esclarecimentos e resoluções sobre impactos industriais e direitos violados

Nesta quarta-feira (6), a Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil (AMDH), representada por Enéias da Rosa, secretário executivo, e Gilnei da Silva, assessor de monitoramento de casos, visitaram as comunidades de Bananeiras e Botelho, localizadas em Ilha de Maré, na Bahia. A agenda, realizada em parceria com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), faz parte de uma viagem de acompanhamento e seguimento da implementação das recomendações emitidas no relatório do CNDH, fruto de uma missão realizada no mesmo local no ano passado. Além disso, junto da ACNUDH, buscou-se ouvir novas demandas das comunidades de Ilha de Maré, reforçando o compromisso com o seguimento das pautas locais e com a defesa dos direitos humanos na região. Durante a visita, as organizações participaram do “Toxic Tour”, uma atividade organizada pelas lideranças da Comunidade de Bananeiras. O trajeto, que foi percorrido pela Baía de Aratu, incluiu a passagem pelo Porto de Aratu-Candeias e pelos complexos industriais próximos da orla entre os municípios de Salvador, Simões Filho e Candeias, onde a Baía de Todos os Santos (BTS) dá lugar à Baía de Aratu. Durante o percurso, as lideranças quilombolas e pesqueiras denunciaram os graves impactos ambientais e sociais provocados pela contaminação industrial na região. Segundo as lideranças locais, a atividade industrial na área tem avançado sem a devida consulta prévia às comunidades afetadas, desconsiderando os efeitos sociais e ambientais. Entre as principais preocupações estão a violência contra a vida e a saúde das pessoas, além da degradação do ecossistema, como o aterramento de manguezais, dragagem do fundo do mar, emissão de gases poluentes, vazamentos de óleo e a introdução de espécies marinhas invasoras trazidas por navios. A comunidade também destacou a contaminação das águas e do solo por resíduos industriais, que afeta diretamente as atividades de pesca e a subsistência das famílias que vivem na região. Já na quinta-feira (7), foi realizada a primeira reunião para a criação de uma Sala de Situação dedicada ao monitoramento das violações de direitos em Ilha de Maré. O encontro contou com a participação de diversos órgãos do estado, lideranças das comunidades e organizações da sociedade civil, entre elas a Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que já estavam presentes nas agendas anteriores. A ação ainda será oficializada este ano, através do Ministério Público Federal, representado pelo Procurador Ramiro Rockenbach. A criação dessa sala de situação tem como objetivo garantir um acompanhamento contínuo e mais efetivo sobre os direitos humanos violados das comunidades, sendo um espaço permanente para o monitoramento das diferentes demandas levantadas pelas comunidades tradicionais ao longo da visita realizada. 

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CNDH realiza nesta semana missão em defesa de territórios quilombolas e demais comunidades tradicionais na Bahia

Foto: Reunião Missão CNDH e movimentos sociais: regularização fundiária de povos e comunidades tradicionais na Bahia / Gilnei J.O da Silva O Conselho Nacional dos Direitos Humanos – CNDH realiza nesta semana missão em defesa de territórios quilombolas e demais comunidades tradicionais na Bahia, em parceria com o Conselho Nacional de Justiça, o Ministério de Desenvolvimento Agrário, o Ministério da Igualdade Racial e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil está compondo a missão. A missão teve início ontem (2 de outubro), com reunião interinstitucional para diagnóstico preliminar do cenário. À tarde, ocorreu audiência pública no Auditório do Ministério Público, em Salvador, com o tema “Segurança Pública e Letalidade Policial”. No fim do dia, houve reunião de planejamento das ações com movimentos e organizações em defesa dos territórios das comunidades tradicionais. Hoje haverá reunião com o Tribunal de Justiça; com o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas da Bahia – PPDDH-BA; e diversas instituições, como INCRA-BA, SPU-BA, SRPF-BA e IBAMA-BA. Na quarta e quinta, o CNDH realiza escuta de lideranças e representantes de territórios ameaçados. Na sexta-feira, último dia da missão, o conselho e seus parceiros se reúnem com o Gabinete de Conflitos do Governo do Estado pela manhã. À tarde, acontece a audiência pública “Em defesa dos direitos territoriais das comunidades tradicionais da Bahia”, com a presença de autoridades federais e estaduais e das comunidades, na ESDEP – Escola Superior da Defensoria Pública da Bahia (R. Pedro Lessa, 123 – 1º andar. Canela, Salvador). Pelo CNDH participam as conselheiras Márcia Teixeira e Sandra Andrade, além do consultor ad hoc Murilo Cavalcanti, do colaborador convidado Enéias da Rosa e do assessor técnico do CNDH Luis Fernando Novoa. Acompanham os trabalhos a procuradora e o procurador da 6ª Câmara da Procuradoria Geral da República Lívia Tinoco e Walter Rothenburg. Objetivos A missão conjunta à Bahia tem o objetivo fortalecer a efetivação de direitos territoriais e de reconhecimento cultural das comunidades quilombolas, após reiterados ataques, tentativas de expulsão, intimidação e assassinato de suas lideranças – a exemplo da execução da liderança do Quilombo Pitanga dos Palmares, Mãe Bernardete, no último 17 de agosto. Para o colegiado nacional, a intenção é construir uma agenda interfederativa e interinstitucional para que setores empresariais, especialmente os que atuam na incorporação de terra urbana, privatização de praias e mananciais, extração de minério e petróleo, expansão de monocultivos de eucalipto e grãos e instalação de sistemas logísticos relacionados, possam se comprometer a seguir o marco legal vigente. Da mesma forma, é preciso buscar que mecanismos de regulação ambiental, proteção do patrimônio social-cultural e regularização fundiária sejam mais eficientes; e que seja garantida máxima proteção a lideranças das comunidades tradicionais e demais defensoras/es de direitos humanos no estado da Bahia, a partir do fortalecendo e redimensionando os programas de proteção estadual e nacional e punição exemplar para executores e mandantes de ataques. DireitosHumanos #ParticipaçãoSocial #CNDH Texto: CNDH

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