
Revisão Periódica Universal (RPU): Organizações da sociedade civil e governo alemão realizam agenda de monitoramento de recomendações ao Estado Brasileiro
Organizações da sociedade civil Brasileira e da Alemanha realizam reunião de monitoramento das recomendações emitidas pela Alemanha ao Brasil, no âmbito do 4º ciclo da RPU. A reunião aconteceu no dia 03 de dezembro de 2025, em formato on line, e contou com a participação da Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil (AMDH), Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e Processo de Articulação e Diálogo para a Cooperação Internacional (PAD), Mesa Redonda Brasil – KoBra, FDCL e Misereor, com representante do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha, Sr. Axel Bayer. O Sr. Bayer acolheu e agradeceu pelo encontro e manifestou que o mecanismo da RPU como instrumento que emite recomendações para os Estados parte no âmbito do sistema internacional de direitos humanos é muito importante e favorece o diálogo entre os Estados Parte na garantia dos direitos humanos. Este é o segundo relatório anual feito por organizações da sociedade civil brasileira ao governo da Alemanha no qual relata a situação de implementação das recomendações do 4º ciclo, no qual o Brasil recebeu três recomendações do Estado Alemão. As recomendações tratam de Execuções Sumárias e Extrajudiciais, de Defensoras/es de Direitos Humanos e de Direitos dos Povos Indígenas. Paulo Carbonari (MNDH) apresentou o Relatório encaminhado ao governo alemão. Destacou que esta experiência de seguimento é única e fundamental. Informou que as três recomendações ainda estão em processo de implementação ou não foram implementadas. A recomendação sobre Execuções Extrajudiciais ainda não foi implementada. Informou que os índices de violência e assassinatos resultante da letalidade policial no Brasil são altíssimos, estando, inclusive, acima do parâmetro sugerido por estudos nacionais e internacionais (que é de 10%), ficando em 14,1% em relação às Mortes Violentas Intencionais no país. Também destacou que esta violência é seletiva, pois as vítimas são majoritariamente homens (99%) negros, com prevalência de 82%, fazendo com que o número de pessoas pretas e pardas vítimas da violência policial seja 3,5 vezes maior do que o de uma pessoa branca. A recomendação sobre Defensores/as de Direitos Humanos teve pequenos avanços, mas também seguem sem implementação. O quadro indica que os riscos para a atuação de defensores/as de direitos humanos no Brasil continuam muito altos e, também o número de defensores/as assassinados no âmbito de sua atuação. Avalia como avanço importante o Decreto n. 12.710, de 05 de novembro de 2025, que institui o Plano Nacional de Proteção aos Defensores/as de Direitos Humanos no Brasil, mas o texto ainda aguarda publicação, o que haverá de ser feito por Portaria Interministerial. A recomendação sobre Direitos dos Povos Indígenas é a que está em pior situação, pois apresenta não implementação com retrocessos. Destacou que, apesar do Estado Brasileiro ter avançado em algumas declarações, homologações e demarcações, que ficaram totalmente paradas no governo anterior, o grande problema segue sendo a insegurança jurídica a partir da tese do Marco Temporal. Atualmente em torno de um terço das terras indígenas não têm segurança jurídica que a finalização do processo de demarcação garante com a posse plena pelas comunidades indígenas. O Sr. Bayer agradeceu as informações oferecidas em relação às recomendações, manifestou preocupação e perguntou sobre quem são os autores da violência contra os povos indígenas, as mudanças de legislação sobre Licenciamento Ambiental e sobre o diálogo entre a União Europeia e o Brasil na agenda de Direitos Humanos. Para Enéias da Rosa (AMDH), em que pese os problemas que estão na base do projeto e permanecem na proposta do PL 2159, a derrubada dos vetos presidenciais com relação ao PL, no âmbito do congresso nacional, abre concessões ambientais indiscriminadas, destrutivas e sem precedentes ao arcabouço ambiental no Brasil, permitindo que o avanço sobre o meio ambiente e as violências sobre os territórios seja ainda mais nocivo no próximo período. Menciona também que o diálogo entre UE e Brasil, tanto no âmbito da sociedade civil quanto entre os governos se dá por diferentes vias, seja na manutenção de consultas e diálogos entre pares, mas que no âmbito da sociedade civil há uma sensação de esvaziamento e pouca concretude das orientações e debates acumulados. Neste momento por exemplo (dezembro de 2025), vive-se a expectativa da aprovação do Acordo União Europeia e Mercosul e, conforme manifestou Paulo César Carbonari (MNDH), o tema do Acordo nem sequer apareceu no diálogo recente entre UE e Brasil, e que deveria estar fortemente na pauta, tendo presente todas as contradições e dificuldades em aspectos tais quais meio ambiente e direitos humanos, por exemplo. Também manifestou preocupação pela flexibilização de vários temas em virtude de ver o acordo aprovado. A Sra. Júlia Esther (PAD), também chamou atenção para a importância dos temas de Direitos e Humanos e do tema ambiental para o Acordo Bilateral entre Alemanha e Brasil. Mencionou também que as políticas de cooperação multilaterais entre Brasil e Alemanha, são essenciais para o enfrentamento das violações nestes temas tratados no âmbito das recomendações e do relatório encaminhado pela sociedade civil, e que portanto precisam continuar sendo fortalecidas no próximo período, estabelecendo regras e condicionantes bem concretas nesta relação de parceria e cooperação entre as partes. Diante destas manifestações o Sr. Bayer disse que o tema do Acordo UE e Mercosul é um tratado muito importante para a UE, que já vem sendo discutido ha 25 anos, há um desejo grande de avanços para este acordo e que o tema de Direitos Humanos e Meio Ambiente são compromissos muito claro para a UE. Por isto também se preocupa com a derrubada dos vetos presidenciais ao PL 2159. Agradeceu todas as informações e pelo diálogo realizado comprometendo-se a encaminhar o relatório para os outros órgãos responsáveis no âmbito do governo alemão e à embaixada da Alemanha no Brasil. Destacou também como muito oportuna este formato de agenda de seguimento, que pode ser considerada uma iniciativa inédita e muito potente para o processo de seguimento das recomendações e que este modelo deve ser mantido e fortalecido. O encontro foi encerrado com a expectativa de realização de novas rodadas de diálogo e com a apresentação de um



