Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos

Caso: Jardim Gramacho (RJ)
Violação do direito à água sofrida pela população de Jardim Gramacho em Duque de Caxias no estado do Rio de Janeiro
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"Os moradores e as moradoras do território de Jardim Gramacho vêm, ao longo dos anos, denunciando a violação do direito ao abastecimento de água. A ausência de água potável no dia a dia das famílias viola os direitos fundamentais e diz respeito à manutenção de uma vida com dignidade."
Ibase
Projeto Cidadania Ativa e
Acesso à Justiça – Plano de
Ação do Fórum Comunitário de
Jardim Gramacho

Ações/Visitas

Local do caso

Localizado no município de Duque de Caxias, região metropolitana do Rio de Janeiro, o bairro Jardim Gramacho tem ocupações de famílias em situação de extrema pobreza e em geral com saneamento básico precário, sem acesso à água potável.

A visão externa mais difundida do bairro é o “lugar do lixão”, por ter tido um dos maiores Aterros Metropolitanos da América Latina, desativado em junho de 2012, entre outras razões socioambientais, por se encontrar fora das exigências legais da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Mas desde que foi desativado o aterro metropolitano, não houve a implementação suficiente de políticas sociais e serviços de infraestrutura para a população local que sobrevive em situação de extrema vulnerabilidade.

Segundo o Fórum Comunitário de Jardim Gramacho, cerca de 40 mil pessoas vivem no bairro atualmente. A comunidade é formada basicamente por ex-catadores, cuja situação não melhorou após o fechamento do espaço. Afinal, passando mais de uma década do fechamento do aterro, o que permaneceu foi o descaso do poder público. As promessas de revitalização do bairro e de melhoria das condições de vida da população residente ainda seguem distantes de serem garantidas, com as(os) moradoras(es) tendo ainda suas vidas afetadas pela falta de saneamento básico e sem água encanada.

Pesquisa realizada no território pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) concluiu que 22,2% das(os) moradoras(es) não têm rede de esgoto pública disponível em suas casas, sendo que 10,4% têm o esgoto despejado em fossa rudimentar; 7,8% em fossa séptica; 3,4% em vala; e 0,6% em rio ou lago. A ausência do saneamento básico afeta, principalmente, a saúde da população (casos de hanseníase, verminose e doenças de pele são muito comuns na comunidade).

Especificamente, sobre o acesso à água potável, a mesma pesquisa identificou que o problema da falta d’água afeta a vida de 62,3% da população local. Com 53,9% das(os) moradoras(es) não tendo como principal forma de abastecimento a rede geral de distribuição de água. Assim, 43,0% da população residente do território têm como principal forma de abastecimento poço ou nascente; 8,5% caminhão pipa; 1,8% água da chuva; 0,4% recebem doação; e 0,2% têm acesso à água de rios e lagos, classificadas como impróprias para o consumo.

Esses dados revelam e comprovam a violação ao direito à água potável sofrida por essa população de Jardim Gramacho, que também, por não terem acesso a saneamento básico, sofrem violações a muitos outros direitos humanos, como o direito à saúde, à alimentação adequada e ao meio ambiente equilibrado.

O caso Jardim Gramacho é monitorado pela AMDH em parceria com o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas Ibase que é a organização de referência nesse projeto de monitoramento DH em Ação.

Materiais disponíveis

1. Plano de Ação do Fórum de Jardim Gramacho (IBASE)

Projeto Cidadania Ativa e Acesso à Justiça – Plano de Ação do Fórum Comunitário de Jardim Gramacho (iBASE)
Plano de Ação do Fórum Comunitário de Jardim Gramacho Com mais de 15 anos de atuação no território, o Fórum Comunitário de Jardim Gramacho reúne a cidadania ativa local, composta por representantes de 13 entidades atuantes no bairro e por moradoras e moradores ativistas, em torno de ações pela efetivação, pela garantia e pela ampliação de direitos. O Plano de Ação é um instrumento importante para qualificar e dar legitimidade às demandas do território, configurando-se assim como o principal exercício de fortalecimento do processo de definição de prioridades e de possíveis formas de encaminhamento rumo à efetivação dos direitos de moradores e moradoras do território de Jardim Gramacho. Trata-se de um produto do trabalho coletivo realizado pela cidadania ativa do território que parte do conjunto de ações de curto, médio e longo prazos.

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Organizações promovem ato para lançar informativo que expõe violações de direitos humanos na pandemia

De acordo com a Anistia Internacional em relatório lançado em 2020, as violações de direitos humanos no Brasil aumentaram drasticamente na pandemia, atingindo ONGs, jornalistas, ativistas, defensoras e defensores dos direitos, comunidades quilombolas, povos indígenas, mulheres e outros grupos. Refletindo esta situação, a Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil (AMDH) anuncia o  Lançamento do Informativo: “Violações de Direitos Humanos no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil” que acontece nesta terça-feira, 25 de maio, às 19h30. O evento será transmitido ao vivo no Facebook da organização e nas demais redes parceiras. A transmissão tem como objetivo dar visibilidade aos 17 casos de violações de direitos humanos documentados no período da pandemia da Covid-19. No informativo, cada caso é relatado de forma breve, com as informações sobre as principais situações de violações vividas, quem foram os sujeitos que sofreram estas violações e quais organizações estão envolvidas na denúncia e no apoio aos grupos vitimados. Roseane Dias, da equipe operacional e da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) aponta que o trabalho que será exposto “é resultado do processo de monitoramento e de articulações em direitos humanos que se constitui em um momento de denúncia e abertura de canais de diálogos institucionais”. Ao todo, serão seis temáticas abordadas no documento, que tratam sobre povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, comunidades urbanas vulnerabilizadas, população em situação de rua, sistema penitenciário e juventudes na periferia. O ato de lançamento terá quatro representações institucionais que já estão confirmadas, sendo elas: Fernando Pigatto, presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Rogério Giannini, co-coordenador da Comissão Especial sobre Direitos Humanos e Pandemia do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), o Deputado Carlos Veras (PT-PE), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e o Senador Humberto Costa (PT/PE), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado e Membro da CPI da COVID-19 do Senado Federal. Além disso, as organizações responsáveis pela documentação dos casos expostos também estarão presentes no diálogo. O informativo marca um momento de visibilidade de um processo de identificação, documentação e acompanhamento, na busca da proteção e defesa dos direitos humanos dos sujeitos e grupos envolvidos nos casos, tendo o período da Covid-19 como centralidade. O ato de lançamento, que será transmitido, também é um momento de interlocução política com os espaços institucionais que são representados pelos convidados, de forma que venha fortalecer a atuação das organizações envolvidas nos casos.  Enéias da Rosa, secretário executivo da Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil (AMDH) completa que o informativo “é importante no sentido de exemplificar as muitas violações ocorridas no Brasil com os diferentes grupos, as diferentes populações e em diferentes territórios, sobretudo aqueles territórios que são historicamente mais vulnerabilizados e que já sofrem violências nas suas lutas e violações de direitos no cotidiano”. Na oportunidade também será anunciado, que tal informativo se desdobrará em um relatório de casos, circunstanciando de forma detalhada as violações e apresentando recomendações aos órgãos e instituições locais, nacionais e internacionais, relativos a cada caso apresentado. A iniciativa de monitoramento “Direitos Humanos em Ação” foi pensada com o objetivo de acompanhar as situações de violações de direitos e de medidas de retrocessos dos direitos humanos no contexto da pandemia da COVID-19 no Brasil. Lançada em julho de 2020, é uma ação da Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil (AMDH), sob coordenação do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Processo de Articulação e Diálogo (PAD), Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT Brasil) e Organizações Parceiras de MISEREOR no Brasil. Hoje, também possui a participação de organizações parceiras presentes em 14 estados brasileiros, que atuam na documentação e resolução de casos locais de violações de direitos humanos.

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SEMINÁRIO NACIONAL DE CASOS DE VIOLAÇÕES NO CONTEXTO DA PANDEMIA DO COVID-19

No dia 15 de dezembro (terça-feira) das 9h às 12h teremos o Seminário Nacional de Casos de Violações de Direitos Humanos no Contexto da COVID-19 acontecendo e sendo transmitido aqui no nosso Facebook (https://www.facebook.com/monitoramentodh). O evento tem como objetivo dar visibilidade aos casos documentados até aqui com o projeto Direitos Humanos em Ação, que possui participação de organizações parceiras presentes em 14 estados brasileiros. Você também pode assistir a LIVE no horário combinado pelas retransmissões que acontecerão nessas páginas: Movimento Nacional De Direitos Humanos (https://www.facebook.com/mndhbrasil) PAD – Articulação e Diálogo Internacional (https://www.facebook.com/PADBrasil) Fundação Luterana de Diaconia (FLD) (https://www.facebook.com/FLDact) Smdh Vida (https://www.facebook.com/smdh.vida) Segue a programação abaixo. Contamos com a presença de todos!

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Em quarta oficina, organizações trocam experiências sobre o processo da Ação de Monitoramento de Violações dos Direitos Humanos no Contexto da Covid-19

A oficina nacional do processo de Ação de Monitoramento de Violações dos Direitos Humanos no Contexto da Covid-19 teve sua quarta edição no dia 10 de setembro. O encontro aconteceu em uma videoconferência e contou com a presença de 36 participantes, representantes de pelo menos 30 organizações e movimentos sociais, de 19 estados e DF. A reunião teve como objetivo fazer um breve balanço do processo até o presente momento e também abrir espaço para a troca de experiências das organizações no processo de definição dos casos, produção e qualificação de informações, tópico abordado e apresentado em detalhes na reunião anterior, que aconteceu na primeira quinzena do mês de agosto. Para introduzir as pautas, os participantes foram acolhidos e relembrados dos aspectos da metodologia do percurso até então. Enéias fez uma retomada de alguns aspectos e destacou que este processo é de extrema importância pela necessidade de denunciar e acompanhar situações de violações de direitos humanos no contexto da COVID-19, mas também pelo fato de ser uma metodologia que está sendo aplicada agora e que deverá orientar os processos de documentação de casos entre parceiros também na sequência, nos processo de seguimento de casos. Com base nas metas de mobilização e identificação das alegações já encaminhadas nos meses anteriores, os participantes compartilharam os casos definidos e como está sendo o desenvolvimento da documentação desses casos. Até o momento foram identificados pelo menos 12 casos em pelo menos 10 estados que estão já estão em processo de documentação. Os casos tratam de temas relativos aos direitos dos povos indígenas, violência policial, direito humano a alimentação, segurança alimentar e nutricional, direito ao território, direito a moradia urbana, à agua e ao saneamento básico, população encarcerada e direitos humanos, profissionais da saúde e direitos humanos entre outros. Todos os casos estão sendo documentados na proposta de formulário que foi apresentado na oficina anterior.  A coordenação executiva nacional manifestou novamente sua disponibilidade para possíveis outras dúvidas técnicas sobre esse passo importante da documentação. Atendendo aos apontamentos das organizações, erros do formulário foram corrigidos e uma atualização e ampliação de espaço para recebimento de documentos foi feita, permitindo o recebimento de arquivos mais extensos caso necessário. Para prosseguir com o projeto, Paulo Carbonari (MNDH) apresentou uma introdução aos aspectos do plano de ação, apontando para os próximos passos da agenda, conforme documento disponibilizado em documento anexo. Esta agenda do planejamento será retomada de forma mais detida e aprofundada na próxima oficina já agendada para o dia 30 de setembro. Com relação ao processo de planejamento Paulo enfatiza que o fundamental é decidir em conjunto o que será feito, inclusive em quantidade de casos documentados, tendo presente que é importante visualizar que o que for documentado e planejado tenha condições de ser efetivamente executado. Para ilustrar melhor as próximas etapas, uma proposta de roteiro básico foi exibida na reunião, contendo possíveis atividades, resultados esperados, datas e seus responsáveis. Essa proposta também foi encaminhada para todos os participantes por meio do canal de comunicação da ação. A iniciativa de monitoramento “Direitos Humanos em Ação” foi pensada com o objetivo de acompanhar as situações de violações de direitos e de medidas de retrocessos dos direitos humanos no contexto da pandemia da COVID-19 no Brasil. A ação está inserida na campanha “Todas as Vidas Valem”, coordenada pelo MNDH, mas também conta com a participação e coordenação da Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil (AMDH), da qual fazem parte o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), o Processo de Articulação e Diálogo (PAD), o Fórum Ecumênico ACT Brasil e os parceiros de Misereor no Brasil.

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