Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos

Autor: Secretaria Executiva

Notícias

Revisão Periódica Universal (RPU): Organizações da sociedade civil e governo alemão realizam agenda de monitoramento de recomendações ao Estado Brasileiro

Organizações da sociedade civil Brasileira e da Alemanha realizam reunião de monitoramento das recomendações emitidas pela Alemanha ao Brasil, no âmbito do 4º ciclo da RPU. A reunião aconteceu no dia 03 de dezembro de 2025, em formato on line, e contou com a participação da Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil (AMDH), Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e Processo de Articulação e Diálogo para a Cooperação Internacional (PAD), Mesa Redonda Brasil – KoBra, FDCL e Misereor, com representante do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha, Sr. Axel Bayer. O Sr. Bayer acolheu e agradeceu pelo encontro e manifestou que o mecanismo da RPU como instrumento que emite recomendações para os Estados parte no âmbito do sistema internacional de direitos humanos é muito importante e favorece o diálogo entre os Estados Parte na garantia dos direitos humanos.  Este é o segundo relatório anual feito por organizações da sociedade civil brasileira ao governo da Alemanha no qual relata a situação de implementação das recomendações do 4º ciclo, no qual o Brasil recebeu três recomendações do Estado Alemão. As recomendações tratam de Execuções Sumárias e Extrajudiciais, de Defensoras/es de Direitos Humanos e de Direitos dos Povos Indígenas.  Paulo Carbonari (MNDH) apresentou o Relatório encaminhado ao governo alemão. Destacou que esta experiência de seguimento é única e fundamental. Informou que as três recomendações ainda estão em processo de implementação ou não foram implementadas. A recomendação sobre Execuções Extrajudiciais ainda não foi implementada. Informou que os índices de violência e assassinatos resultante da letalidade policial no Brasil são altíssimos, estando, inclusive, acima do parâmetro sugerido por estudos nacionais e internacionais (que é de 10%), ficando em 14,1% em relação às Mortes Violentas Intencionais no país. Também destacou que esta violência é seletiva, pois as vítimas são majoritariamente homens (99%) negros, com prevalência de 82%, fazendo com que o número de pessoas pretas e pardas vítimas da violência policial seja 3,5 vezes maior do que o de uma pessoa branca. A recomendação sobre Defensores/as de Direitos Humanos teve pequenos avanços, mas também seguem sem implementação. O quadro indica que os riscos para a atuação de defensores/as de direitos humanos no Brasil continuam muito altos e, também o número de defensores/as assassinados no âmbito de sua atuação.  Avalia como avanço importante o Decreto n. 12.710, de 05 de novembro de 2025, que institui o Plano Nacional de Proteção aos Defensores/as de Direitos Humanos no Brasil, mas o texto ainda aguarda publicação, o que haverá de ser feito por Portaria Interministerial. A recomendação sobre Direitos dos Povos Indígenas é a que está em pior situação, pois apresenta não implementação com retrocessos. Destacou que, apesar do Estado Brasileiro ter avançado em algumas declarações, homologações e demarcações, que ficaram totalmente paradas no governo anterior, o grande problema segue sendo a insegurança jurídica a partir da tese do Marco Temporal. Atualmente em torno de um terço das terras indígenas não têm segurança jurídica que a finalização do processo de demarcação garante com a posse plena pelas comunidades indígenas. O Sr. Bayer agradeceu as informações oferecidas em relação às recomendações, manifestou preocupação e perguntou sobre quem são os autores da violência contra os povos indígenas, as mudanças de legislação sobre Licenciamento Ambiental e sobre o diálogo entre a União Europeia e o Brasil na agenda de Direitos Humanos. Para Enéias da Rosa (AMDH), em que pese os problemas que estão na base do projeto e permanecem na proposta do PL 2159, a derrubada dos vetos presidenciais com relação ao PL, no âmbito do congresso nacional, abre concessões ambientais indiscriminadas, destrutivas e sem precedentes ao arcabouço ambiental no Brasil, permitindo que o avanço sobre o meio ambiente e as violências sobre os territórios seja ainda mais nocivo no próximo período. Menciona também que o diálogo entre UE e Brasil, tanto no âmbito da sociedade civil quanto entre os governos se dá por diferentes vias, seja na manutenção de consultas e diálogos entre pares, mas que no âmbito da sociedade civil há uma sensação de esvaziamento e pouca concretude das orientações e debates acumulados.  Neste momento por exemplo (dezembro de 2025), vive-se a expectativa da aprovação do Acordo União Europeia e Mercosul e, conforme manifestou Paulo César Carbonari (MNDH), o tema do Acordo nem sequer apareceu no diálogo recente entre UE e Brasil, e que deveria estar fortemente na pauta, tendo presente todas as contradições e dificuldades em aspectos tais quais meio ambiente e direitos humanos, por exemplo. Também manifestou preocupação pela flexibilização de vários temas em virtude de ver o acordo aprovado.  A Sra. Júlia Esther (PAD), também chamou atenção para a importância dos temas de Direitos e Humanos e do tema ambiental para o Acordo Bilateral entre Alemanha e Brasil. Mencionou também que as políticas de cooperação multilaterais entre Brasil e Alemanha, são essenciais para o enfrentamento das violações nestes temas tratados no âmbito das recomendações e do relatório encaminhado pela sociedade civil, e que portanto precisam continuar sendo fortalecidas no próximo período, estabelecendo regras e condicionantes bem concretas nesta relação de parceria e cooperação entre as partes. Diante destas manifestações o Sr. Bayer disse que o tema do Acordo UE e Mercosul é um tratado muito importante para a UE, que já vem sendo discutido ha 25 anos, há um desejo grande de avanços para este acordo e que o tema de Direitos Humanos e Meio Ambiente são compromissos muito claro para a UE. Por isto também se preocupa com a derrubada dos vetos presidenciais ao PL 2159. Agradeceu todas as informações e pelo diálogo realizado comprometendo-se a encaminhar o relatório para os outros órgãos responsáveis no âmbito do governo alemão e à embaixada da Alemanha no Brasil. Destacou também como muito oportuna este formato de agenda de seguimento, que pode ser considerada uma iniciativa inédita e muito potente para o processo de seguimento das recomendações e que este modelo deve ser mantido e fortalecido. O encontro foi encerrado com a expectativa de realização de novas rodadas de diálogo e com a apresentação de um

Leia Mais »
Notícias

AMDH participa de lançamento do Relatório de Meio Período sobre a implementação das recomendações recebidas pelo Estado Brasileiro no âmbito do 4º Ciclo da Revisão Periódica Universal do CDH da ONU

O Coletivo RPU Brasil, criado em 2017, é uma coalizão composta por 39 representações de movimentos, organizações, redes e coletivos da sociedade civil brasileira. É coordenado pelo Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos (IDDH), Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos (AMDH) e Justiça Global, e atua de forma conjunta, em nível nacional e internacional, monitorando e incidindo para que o Estado brasileiro cumpra com o compromisso de implementar as recomendações oriundas da Revisão Periódica Universal (RPU), da ONU.  O Relatório de Meio Período que o Coletivo RPU Brasil está lançando, hoje, 18 de setembro 2025, no âmbito da 60 sessão do CDH da ONU, em Genebra, abarca o período de 2023 a 2025, e se debruça sobre as recomendações recebidas pelo Estado brasileiro durante o 4º Ciclo da Revisão Periódica Universal (RPU) do CDH da ONU. De um total de 306 recomendações recebidas pelo Estado Brasileiro, o relatório avaliou 245 recomendações em diferentes temas, das quais avalia que 108 não foram cumpridas, 122 foram cumpridas parcialmente, apenas 07 foram cumpridas, e, 08 além de não cumpridas, retrocederam. Do conjunto de temas tratados nos 10 capítulos do Relatório, a Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil (AMDH) coordenou a avaliação do capitulo 06 que trata das obrigações e compromissos internacionais em direitos humanos assumidos pelo Estado Brasileiro, e o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) coordenou a avaliação do capítulo 01 que analisa as recomendações relativas às/os Defensoras/es de Direitos Humanos no Brasil.   Com relação ao capítulo 06 do Relatório, do total das 31 recomendações analisadas, a avaliação apontou que 20 não foram cumpridas, 10 foram cumpridas parcialmente e apenas 01 foi cumprida efetivamente. A análise aponta para uma compreensão de que em contextos de “normalidade democrática”, o Brasil é um Estado que ocupa lugar importante de liderança global no âmbito do sistema internacional de direitos humanos. Contudo, isso não significa dizer que o país seja modelo na transformação destes compromissos e obrigações em direitos garantidos e políticas efetivas na vida de parcela significativa da sua população. Nesse sentido, o desafio do país em continuar aberto e propositivo no que se refere a agenda progressista de direitos humanos em nível internacional, deve cada vez mais se conectar com a transformação da realidade dos diferentes grupos historicamente violentados e vulnerabilizados, que ainda não fizeram a experiência de ter direitos garantidos no país.  Nesse sentido, a AMDH entende que dentre os desafios mais estratégicos e que dialogam com o quarto ciclo da RPU, estão: (1) A ratificação do protocolo facultativo do PIDESC, que já está em vigor desde 2013. A ratificação deste protocolo amplia as possibilidades para que indivíduos possam peticionar denúncias junto ao Comitê DESC da ONU, situações de violência que venham sofrendo com relação aos direitos econômicos, sociais e culturais. (2) O avanço no processo de transformação do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) como instituição de Direitos Humanos, com base nos princípios de Paris. É fundamental que o CNDH adquira e goze do status de total independência e autonomia para sua atuação como instituição de direitos humanos no país. (3) Por fim, outro desafio posto e que não mais pode ser prorrogado é a estruturação de um Sistema de Monitoramento das Recomendações de Direitos Humanos, relativas a todos os compromissos e obrigações que o Brasil possui em nível internacional. Este sistema deve primar pela garantia da participação direta dos diferentes sujeitos e deve possibilitar um processo de monitoramento da implementação das recomendações de forma transparente e propositiva. Com relação ao capítulo 01 do Relatório, do total das 28 recomendações analisadas, a avaliação apontou que 13 não foram cumpridas, 15 foram cumpridas parcialmente e nenhuma foi cumprida efetivamente.  A análise aponta para o fato de que o Estado brasileiro está com significativa dificuldade de dar passos efetivos no sentido de constituir uma institucionalidade protetiva adequada e suficiente para as defensoras/es de direitos humanos. A construção do Plano Nacional de Proteção e do Anteprojeto de Lei são passos importantes. Contudo, como ainda não institucionalizado, mostra-se ainda a meio caminho, visto que a formulação precisa ser normatizada (tornada instrumento legal) para que seja possível sua efetivação pelas instituições públicas, por um lado, mas que também seja possível avançar no monitoramento e controle social mais concretos e efetivos pelas organizações da sociedade civil. A impunidade segue sendo uma marca profunda, visto que, ainda que em alguns casos tenha havido avanços na resolutividade da responsabilização, na imensa maioria segue sendo um desafio que alimenta a violência. Na compreensão do MNDH, dispondo de formulações que possam lhe servir para oportunizar avanços na efetivação da proteção, o Estado Brasileiro precisa dar passos concretos e transformar estas elaborações em instrumentos normatizados para que inclusive se possa ter um marco desde o qual se possa avaliar os passos dados. (1) A aprovação de uma lei que institucionalize a política e o sistema de proteção a defensoras/es de direitos humanos e a promulgação do Plano Nacional de Proteção à Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, se põe como prioridade absoluta para responder satisfatoriamente a muitas das recomendações do IV Ciclo da RPU neste tema. (2) Junto com estes aspectos, o enfrentamento das impunidades e a criação de ferramentas adequadas para a apuração e a responsabilização dos crimes contra defensoras/es de direitos humanos são fundamentais. Por fim, a AMDH e o MNDH como partes do Coletivo RPU Brasil, destacam que este relatório é produzido em um contexto de crescente crise do multilateralismo e de ameaças a agenda democrática em níveis nunca vistos, no qual países — especialmente potências econômicas — deslegitimam e ignoram recomendações dos mecanismos da ONU. Embora neste contexto, o Coletivo RPU Brasil reafirma a centralidade da Revisão Periódica Universal como ferramenta de incidência, monitoramento e participação social fundamental. A implementação das recomendações deve ser compreendida não como um gesto diplomático, mas como um dever político e ético em direção à efetivação dos direitos humanos no país. A escuta ativa das organizações da sociedade civil, a valorização da participação popular e o compromisso com a

Leia Mais »
Notícias

Organizações visitam Ilha de Maré e pressionam por esclarecimentos e resoluções sobre impactos industriais e direitos violados

Nesta quarta-feira (6), a Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil (AMDH), representada por Enéias da Rosa, secretário executivo, e Gilnei da Silva, assessor de monitoramento de casos, visitaram as comunidades de Bananeiras e Botelho, localizadas em Ilha de Maré, na Bahia. A agenda, realizada em parceria com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), faz parte de uma viagem de acompanhamento e seguimento da implementação das recomendações emitidas no relatório do CNDH, fruto de uma missão realizada no mesmo local no ano passado. Além disso, junto da ACNUDH, buscou-se ouvir novas demandas das comunidades de Ilha de Maré, reforçando o compromisso com o seguimento das pautas locais e com a defesa dos direitos humanos na região. Durante a visita, as organizações participaram do “Toxic Tour”, uma atividade organizada pelas lideranças da Comunidade de Bananeiras. O trajeto, que foi percorrido pela Baía de Aratu, incluiu a passagem pelo Porto de Aratu-Candeias e pelos complexos industriais próximos da orla entre os municípios de Salvador, Simões Filho e Candeias, onde a Baía de Todos os Santos (BTS) dá lugar à Baía de Aratu. Durante o percurso, as lideranças quilombolas e pesqueiras denunciaram os graves impactos ambientais e sociais provocados pela contaminação industrial na região. Segundo as lideranças locais, a atividade industrial na área tem avançado sem a devida consulta prévia às comunidades afetadas, desconsiderando os efeitos sociais e ambientais. Entre as principais preocupações estão a violência contra a vida e a saúde das pessoas, além da degradação do ecossistema, como o aterramento de manguezais, dragagem do fundo do mar, emissão de gases poluentes, vazamentos de óleo e a introdução de espécies marinhas invasoras trazidas por navios. A comunidade também destacou a contaminação das águas e do solo por resíduos industriais, que afeta diretamente as atividades de pesca e a subsistência das famílias que vivem na região. Já na quinta-feira (7), foi realizada a primeira reunião para a criação de uma Sala de Situação dedicada ao monitoramento das violações de direitos em Ilha de Maré. O encontro contou com a participação de diversos órgãos do estado, lideranças das comunidades e organizações da sociedade civil, entre elas a Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que já estavam presentes nas agendas anteriores. A ação ainda será oficializada este ano, através do Ministério Público Federal, representado pelo Procurador Ramiro Rockenbach. A criação dessa sala de situação tem como objetivo garantir um acompanhamento contínuo e mais efetivo sobre os direitos humanos violados das comunidades, sendo um espaço permanente para o monitoramento das diferentes demandas levantadas pelas comunidades tradicionais ao longo da visita realizada. 

Leia Mais »
Notícias

Pronunciamento do Fórum Ecumênico ACT Brasil em solidariedade à comunidade Kaiowá e Guarani do Tekoha Guapo’y

E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.(Gn 4.10) As igrejas e organizações baseadas na fé que integram o Fórum Ecumênico ACT – Brasil vêm a público manifestar sua solidariedade à comunidade Kaiowá e Guarani do Tekoha Guapo’y e juntar-se ao grito de dor e indignação que ecoa sobre o sangue derramado de Vítor Fernandes e também das demais pessoas feridas por armas de fogo que se encontram hospitalizadas. As imagens, depoimentos e relatos mostram a truculência da ação policial, que fez uso  de um helicóptero como plataforma de tiro contra as famílias indígenas da retomada, incluindo crianças e idosos. Diante disso, denunciamos:       a ação ilegal de despejo, sem mandado judicial, praticado pela Polícia Militar (PM) de Mato Grosso do Sul no dia 24 de junho de 2022, quando um grande contingente de policiais da tropa de choque da PM de Amambai (MS) atacou crianças, jovens, idosos e famílias que, depois de anos lutando por seus direitos, decidiram retomar parte do território que lhes foi roubado;       a tentativa de criminalização dos movimentos e dos povos originários em suas lutas por seus territórios e pelo seu direito de existir;       a narrativa abjeta de associar os povos indígenas e sua luta legítima ao tráfico de drogas, como se isso justificasse ações violentas por parte do Estado;      o descaso histórico e deste governo com o território dos povos originários e o desmonte das políticas indigenistas e socioambientais que têm transformado Mato Grosso do Sul, terra invadida por latifundiários e pelo agronegócio, em território de perseguição de lideranças de povos indígenas e comunidades tradicionais. Manifestamos profunda indignação diante da omissão do governo brasileiro, que, ao omitir-se, torna-se responsável por mais um ataque aos povos indígenas, semanas após as brutalidades dos assassinatos de Bruno e Dom. Reafirmamos o nosso compromisso com os direitos humanos, com os direitos dos povos indígenas e nos somamos às lideranças religiosas, entidades de apoio indígenas e indigenistas, igrejas e sociedade civil organizada para exigir uma investigação séria, que aponte e a responsabilize órgãos, mandantes e pessoas envolvidas neste massacre. Nas Missões Ecumênicas que realizamos em 2015 e 2016 nos territórios Guarani-Kaiowá, vimos de perto a opressão e escutamos o clamor daquele povo. Vimos também suas lutas e resistências. Conclamamos as pessoas de fé a se unirem em solidariedade e que façam ecoar este grito por justiça, liberdade e por vida digna. Não nos calarão! Brasília, 27 de junho de 2022

Leia Mais »
Notícias

LANÇAMENTO VÍDEO: UM PAÍS EM AGONIA

O vídeo Um país em agonia foi produzido conjuntamente pelo PAD – Processo de Articulação Internacional e a Articulação para o Monitoramento de DHs no Brasil  e aborda a situação brasileira desde a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao poder.  Ele não traz respostas, pelo contrário, busca questionar o que sobrará depois do desmonte pelo qual passa o Brasil. Pode existir democracia sem estado de direito?   Retratar a fragilidade da democracia brasileira questionando o destino incerto do país.  E busca chamar atenção para o momento da destruição do Estado Democrático de Direito e o aumento das desigualdades no Brasil.  O vídeo, lançado hoje – 17 de setembro, pode ser acessado em português ou inglês:  Português: https://www.youtube.com/watch?v=NjmKGH2wdr4&feature=youtu.be Inglês: https://www.youtube.com/watch?v=95vjNDwRNek&feature=youtu.be   Médium com material complementar Acompanhando o lançamento dos vídeos produzimos um médium com informações mais detalhadas, estudos que subsidiaram os dados para os vídeo e links para as matérias citadas. O médium também foi produzido em português e inglês. Acesse: Português: https://medium.com/@padbrazil/um-pa%C3%ADs-em-agonia-d43e8dccaa57  Inglês: https://medium.com/@padbrazil/a-country-in-agony-9e6940d229d8   Kátia Visentainer – Comunicação Pad

Leia Mais »
Notícias

Sociedade civil denuncia intervenção no Conselho Nacional de Direitos Humanos

  De maneira arbitrária e desrespeitando os princípios orientadores do CNDH, a Ministra Damares Alves exonerou a Coordenadora-Geral escolhida pelo órgão colegiado. A mesa diretora do CNDH denuncia, ainda, a censura no site do órgão: desde o dia 26 de agosto, está impedida de atualizar o sítio do Conselho e tornar públicas suas recomendações, decisões e resoluções. O Conselho Nacional de Direitos Humanos foi instituído pela Lei n° 12.986, de 2 de junho de 2014, e sua atuação é orientada pelos Princípios Relativos ao Status das Instituições Nacionais de Direitos Humanos (Princípio de Paris), definidas pela ONU em 1992, e que, portanto, garante autonomia e independência administrativa ao órgão. Dentre as atividades desempenhadas pelo CNDH estão a fiscalização e o monitoramento de políticas públicas de direitos humanos e o programa nacional de direitos humanos, a articulação com entidades públicas e privadas, bem como com os Sistemas Internacional e Regional de Direitos Humanos, como a ONU, OEA e CIDH. Além disso, cabe ao Conselho opinar sobre medidas de interesse da política nacional de direitos humanos, elaborar propostas legislativas e, por fim, acompanhar processos relacionados a graves violações de direitos humanos. O Conselho Nacional de Direitos Humanos tem o total de 22 membros. Deste número, 11 são da sociedade civil: nove representantes eleitos, um da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e um do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos estados e da União. Os outros 11 são representantes do Poder Público. Em nota, o CNDH denuncia que está sob intervenção e sofrendo diversos ataques, como cortes orçamentários, assim como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), criado pela Lei nº 8.242/1991. Esta não é a primeira vez que o governo federal ataca, de maneira arbitrária, os órgãos colegiados de participação social. Em abril, o presidente assinou decreto que extinguiu centenas de conselhos sociais, dentre eles o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência e Conselho Nacional de Segurança Pública. Outro ataque no campo da garantia de direitos e investigação de violações aconteceu em junho deste ano, quando Jair Bolsonaro, via decreto, exonerou peritos e acabou com salários do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, órgão responsável por fiscalizar as condições de unidades penitenciárias, hospitais psiquiátricos, entre outros. As organizações da sociedade civil que assinam esta nota endossam a denúncia feita pelo CNDH e alertam para a gravidade desta medida da ministra, que acontece um dia depois de ela atacar publicamente o Conselho Nacional de Direitos Humanos, indicando que suas manifestações sejam ignoradas, e afirmando que o órgão “está longe de se preocupar com direitos humanos”. ABONG – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais Ação Educativa ACAT Brasil – Ação dos Cristãos para Abolição da Tortura Além das Grades Articulação de Mulheres Negras do Brasil – AMNB Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale Articulação para o Monitoramento dos DH no Brasil Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia – AATR/BA Associação de Juízes para Democracia – AJD Campanha Nacional Pelo Direito à Educação Centro de Direitos Humanos do Sapopemba CENDHEC – Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social Centro de Cultura Negra do Maranhão Centro Dom José Brandão de Castro – CDJBC Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos CFNTX – Centro de Formação do (a) Negra (a) da Transamazônica e Xingu CLADEM Brasil – Comitê da América Latina e Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres Clínica de Direitos Humanos Luiz Gama | Faculdade de Direito da USP Coletivo Amazônico LesBiTrans Coletivo Ecoa Preta – Unifesp – BS Coletivo Margarida Alves Coletivo Popular Direito a Cidade, Porto Velho, Rondônia Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo – CDHPF Comissão Pastoral da Terra – Regional Nordeste II Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos Comitê Estadual da Educação e Direitos Humanos para PCD- ES Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP COMUNEMA – Coletivo de Mulheres Negras Maria-Maria Conectas Direitos Humanos Conselho Estadual de Defesa Direitos Humanos – TO Criola Fórum Ecumênico Act Brasil – Fe Act Brasil Fórum Paulista de Educação de Jovens e Adultos – Fórum EJA Fórum Suape – Espaço Socioambiental Fundação Luterana de Diaconia – FLD GAJOP – Gabinete Assessoria Jurídica Organizações Populares GESTOS– Soropositividade, Comunicação e Gênero Grupo de Estudos e Extensão sobre Sexualidades – GSEXs Ibase Instituto de Acesso à Justiça – IAJ Instituto Dakini Instituto EQUIT – Gênero, Economia e Cidadania Global Instituto Ethos Intervozes Justiça Global Movimento de Atingidos por Barragens – MAB Movimento Estadual de Direitos Humanos do Tocantins Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH Movimento Pela Soberania Popular na Mineração – MAM Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST Nepac – Núcleo de Pesquisa em Participação, Movimentos Sociais e Ação Coletiva Plataforma Dhesca Brasil Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político Políticas Alternativas para o Cone Sul – PACs Rede Brasileira de Conselhos – RBDC Rede Democracia & Participação Rede Jubileu Sul Brasil Rede Justiça nos Trilhos Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio Rede Feminista de Saúde Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares – RENAP Rede Nacional da Promoção e Controle da Saúde das Lésbicas, Bissexuais e Transexuais Negras – REDE SAPATÀ RMRB Advocacia – Advogados Ribeiro, Moraes, Rodrigues e Barbosa Rede Social de Justiça e Direitos Humanos Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH Terra de Direitos Unegro

Leia Mais »

ARTICULAÇÃO PARA O MONITORAMENTO DOS DH NO BRASIL PARTICIPA DO XIII CURSO AVANÇADO DE DH

A Articulação para o Monitoramento dos DH no Brasil participa do XIII Curso Avançado de Direitos Humanos, que tratará sobre o processo de monitoramento da RPU Brasil. PROGRAMA Local do evento: Casa das Nações Unidas no Brasil (ONU). Complexo Sérgio Vieira de Mello, setor de Embaixadas Norte – Quadra 802, Conjunto C, Lote 17. 5 DE NOVEMBRO – (Segunda-feira) Horário OFICINA “FORTALECENDO A REVISÃO PERIÓDICA UNIVERSAL PARA DEFENSORES/AS DE DIREITOS HUMANOS NO MARCO DOS 70 ANOS DA DUDH NO BRASIL” 09h00 às 9h30 Apresentação dos/as Participantes e Proposta de Trabalho 09h30 às 10h30 A RPU no contexto brasileiro e o histórico do monitoramento pela sociedade civil 11h00 às 12h00 Diálogo sobre as recomendações da RPU 12h00 às 12h30 Lançamento de livro de Ingrid Leão (Execuções sumárias, arbitrárias ou extrajudiciais: As políticas públicas como campo para efetivação das recomendações da ONU ao Brasil) 12h30 às 14h00 ALMOÇO 14h00 às 15h30 Roda de Conversa com Jornalistas/Comunicadores sobre Mídia & Direitos Humanos: “Desafios à liberdade de expressão e ativismo digital na crise do Estado Democrático” 15h30 às 16h30 Debate entre convidados 16h30 às 17h00 INTERVALO 17h00 às 18h00 Lançamento da Plataforma de Monitoramento da RPU e Treinamento de defensores/as de direitos humanos 6 DE NOVEMBRO – (Terça-Feira) Horário EVENTO DE PLANEJAMENTO DO COLETIVO RPU BRASIL 09h00 às 10h30 Análise de Conjuntura e Histórico de Ações do Coletivo RPU Brasil 10h30 às 11h00 INTERVALO 11h00 às 12h30 Planejamento e Apresentação de Proposta de vídeo sobre a RPU pelo ACNUDH 12h30 às 14h00 ALMOÇO 14h00 às 16h00 Plano de Incidência Conjunta (Nov/2018- Nov/2019) 16h00 às 16h30 Avaliação/Encerramento

Leia Mais »
Notícias

Movimento pela vida, contra o ódio e a violência

Movimento pela vida, contra o ódio e a violência Em setembro de 2018, as organizações e movimentos sociais de promoção e defesa dos direitos humanos, abaixo assinadas, estiveram reunidas em Brasília para debater a conjuntura brasileira atual e decidiram se posicionar publicamente em favor da vida e contra o discurso do ódio e a violência. Compreendemos que o Brasil vive um momento de exacerbação das crises política, social e econômica. Esta crise repercute gravemente na compreensão e no papel dos direitos humanos. Grupos ideologicamente alinhados com propostas racistas, machistas, misóginas e xenófobas procuram fomentar um ambiente de ódio, naturalização da violência, preconceito e discriminação em relação aos mais pobres. Em todo o país, o medo e sensação de insegurança constituem argumentos para que a sociedade renuncie aos valores mais fundamentais, que embasam a dignidade da pessoa humana. O discurso dos direitos humanos é distorcido e confundido com apoio à impunidade e violência. Para grande parte da população, influenciada pelos meios de comunicação dominantes, defender direitos humanos é defender direitos de bandidos. O dissenso entre as ideias descredibiliza defensores e defensoras de direitos humanos, que recebem, muitas das vezes, ofensivas à sua integridade física e moral. Além do mais, manipulam-se conceitos caros aos movimentos de promoção e defesa de direitos humanos. Um destes direitos é o da defesa da vida. Conceito importante para reivindicar e denunciar a perseguição e o assassinato de lideranças populares que lutaram e lutam pela democracia e pelo direita à terra, gradativamente, esta expressão tem sido apropriada por movimentos anti-feministas e anti-LGBTQ para afirmar valores morais fundamentalistas e conservadores. A manipulação de conceitos como “ideologia de gênero” tem sido uma das estratégias utilizadas por quem quer deslegitimar a agenda de promoção e defesa de direitos humanos. A consequência disso é que jovens, negros e negras moradores das periferias, favelas e dos campos são alvos de sucessivos atos de violência. É significativo o aumento do ódio contra os chamados grupos vulneráveis e minorias. Mulheres, negros e negras, migrantes, refugiadas, pessoas LGBTQ, indígenas (ou povos originários), quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, entre outros, sofrem com os efeitos desse retrocesso nas pautas ideológicas e humanitárias. As recentes medidas de austeridade impostas pelo neoliberalismo financeiro e obedientemente assumidas pelo governo golpista, afetam diretamente a política de inclusão social, iniciada nas décadas anteriores. O ataque aos direitos trabalhistas e a ameaça à seguridade social, incluindo o Sistema único de Saúde – SUS, a Previdência Social e o Sistema Único de Assistência Social – SUAS, começam a apresentar seus efeitos nefastos junto à população mais pobre. O incentivo à violência institucionalizada do aparato policial e do sistema penitenciário, a política de encarceramento em massa, a tentativa de retorno da ultrapassada e desumana política manicomial, a ineficiência da política de drogas e controle de armas aumentam o ambiente propício para violações sistemáticas dos direitos e liberdades civis. O impulsionamento do agronegócio, a exclusão dos povos tradicionais de seus territórios mediante invasões e desassistência generalizada e a exploração ilegal dos recursos naturais por grandes grupos econômico provocam danos ao patrimônio material e imaterial do nosso povo assim como ao meio-ambiente. Frente a este cenário de escalada do ódio e retirada de direitos, chamamos a todas e todos para se organizarem em um amplo Movimento que possibilite a reapropriação do sentido de defender a vida e de lutar contra o ódio. Diga Não à todo e qualquer projeto orientado na negação dos direitos das mulheres, povos originários, quilombolas, juventudes negras, e que coloque os interesses do capital acima da vida dos povos e do planeta. Junte-se a nós! Brasília, 29 de setembro de 2018. Quilombo Mesquita SMDH Sociedade Maranhense de Direitos Humanos CDDHEP-AC Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular Instituto de Artes Professora Zilda Dias Terreiro Ilê Axé T’OjúLabá Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra SDDH Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos CEDDH-CE Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do Estado do Ceará CDDH – Centro de Defesa dos Direitos Humanos – Petrópolis Mecanismo Nacional de Prevenção à Tortura MPA Movimento dos Pequenos Agricultores / VIA Campesina CPT – Comissão Pastoral da Terra Comitê Dom Tomás Balduíno CIMI – Conselho Indigenista Missionário CDHPF – Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil Articulação para o Monitoramento dos DH no Brasil MNDR/RS – Movimento Nacional de Direitos Humanos do RS AMENCAR – Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente IDHESCA – Instituto de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais Coletivo Feminino Plural EQUIP – Escola de Formação Quilombo dos Palmares UNIPOP – Instituto Universidade Popular FAOR – Fórum da Amazônia Oriental NUMDI – Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro, Indígena e de Fronteira CNLB – Conselho Nacional do Laicato no Brasil  

Leia Mais »
Notícias

ARTICULAÇÃO PARA O MONITORAMENTO DOS DH NO BRASIL PARTICIPA DE AUDIÊNCIA NA CDHM

Movimentos e entidades de Direitos Humanos apresentam demandas e seguem vendo a CDHM como espaço de defesa dos DH 25/04/2018 20h20 Pela quinta vez na história, em tradição iniciada no ano de 2014, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM) promoveu em sua primeira semana de audiências públicas um processo de escuta de representações da sociedade civil, movimentos sociais e agentes públicos com atuação em Direitos Humanos para debater uma agenda comum, de modo a subsidiar a elaboração do plano de trabalho do colegiado parlamentar e eventuais ações conjuntas com outras entidades. A iniciativa desta audiência partiu do presidente da CDHM, deputado Luiz Couto (PT-PB). Foi uma oportunidade de receber demandas, conhecer a posição das entidades acerca da conjuntura dos Direitos Humanos no país e abrir as portas da Câmara dos Deputados a segmentos que historicamente são parceiros e acompanham com frequência as atividades da CDHM. A íntegra da audiência teve falas de representantes dos movimentos e entidades, entremeadas pela participação dos parlamentares integrantes do colegiado. Para nortear o debate, quem abriu a reunião foi a procuradora federal dos Direitos do Cidadão da Procuradoria-Geral da República, Deborah Duprat, apontou que há três desafios importantes para a CDHM se debruçar em 2018: “Destaco como pontos de atenção para a CDHM este ano: a violência do centro contra as margens, ou seja, a atuação contrária aos que na prática mais precisam do Estado, como os jovens, mulheres, negros e minorias; o fato de que o Brasil é o país que onde mais defensores e defensoras de Direitos Humanos são assassinados, e que teve no caso recente da morte da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, um dos episódios mais emblemáticos nesse sentido, e o fortalecimento da participação social, buscando compreender o papel do Poder Legislativo no fomento a este tópico e observando este elemento como fundamental, independente de quem esteja no poder”, defendeu. A presidenta do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Fabiana Severo, indicou que tem sido exatamente esse o caminho seguido pelo conselho, que conta com representantes da sociedade civil e de órgãos governamentais, de forma paritária. “O papel das instituições é voltar seu olhar de forma muito aprofundada ao momento em que vivemos, e essa visão tem pautado o CNDH”, afirmou. Segundo a defensora pública federal, uma das ações do conselho na consolidação dos instrumentos de participação foi a criação de subcomissões sobre diversos temas, que aproximam as populações diretamente afetadas, como a de Pessoas em Situação de Rua, Liberdade de Expressão e Comunicação, Pessoas Privadas de Liberdade, Alimentação Adequada e de Enfrentamento à Criminalização dos Movimentos Sociais. Para Thaisa Oliveira, vice-presidenta da Associação Nacional de Defensores Públicos (Anadep), a própria atuação dos defensores está sendo alvo de cerceamento pelo Poder Judiciário. Ela deu como exemplo a negativa do pedido da Anadep de ingressar como amicus curiae da ação que pede reavaliação da interpretação da possibilidade de prisão após julgamento em segunda instância, na alegação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, por falta de pertinência, apesar do fato envolver o interesse de muitos dos que recorrem às defensorias públicas no Brasil. “Ainda temos estados que sequer possuem Defensoria Pública, como é o caso do Amapá, ou que contam com estrutura parca, muito distante da capacidade de atendimento do cidadão. Isso acaba restringindo o direito que todo cidadão brasileiro tem à Justiça”, conclui. A democratização do sistema de justiça e a salvaguarda da Constituição são as principais lutas que devem ser encampadas pelos defensores de Direitos Humanos, entende Darci Frigo, da Plataforma de Direitos Dhesca Brasil. “É tempo de resistência. Vivemos um período de ataque à democracia, ao Estado Democrático de Direito, e precisamos garantir os compromissos que o país assumiu em tratados internacionais de Direitos Humanos, além de guardar nossa Constituição. A aprovação da Emenda 95 [que congela os gastos públicos por 20 anos] é um instrumento que permite a violação massiva de Direitos Humanos da nossa população. Alterar esse cenário vai requerer muita luta”, pontuou. Eneias da Rosa, secretário-executivo da Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil, concordou com Frigo e foi enfático ao apontar que o país vive um período de retrocessos. “Para usar um termo do momento, estamos em uma era de austeridade de democracia, que está cambaleante. Criou-se uma arquitetura entre mídia e mercados que não se importa com princípios democráticos”. O Estado brasileiro é um promotor desses retrocessos, na opinião de Eneias. “É uma opção clara do Estado ao adotar medidas que acabam com a proteção social dos brasileiros. Uma opção expressa em manter mazelas históricas que privilegiam parcela pequena da sociedade. Demandas Com a conclusão da mesa da audiência, os microfones da CDHM seguiram abertos e houve uma sucessão de falas dos representantes de movimentos e entidades, que trouxeram pautas relativas aos seus respectivos nichos de atuação. Destaque para o anúncio da entrega oficial à CDHM, em audiência que será realizada no dia 17 de maio, de um abaixo-assinado com 43 mil assinaturas, organizado pelo movimento All Out e pelo Conselho Federal de Psicologia, contra o projeto intitulado “cura gay”, que patologiza a homossexualidade, segundo Paulo Maldos, que representou o CFP no debate. Confira uma síntese dos tópicos levantados para apreciação do colegiado: – Revogação da Emenda 95 – Cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – Reforma tributária como promotora do direito humano ao emprego, saúde, educação e renda – Combate à violência – campanha da fraternidade do CNBB – Atuar no combate à violência rural contra quilombolas, sem-terras, indígenas – militarização do campo – Combate ao uso indiscriminado dos agrotóxicos – Impedir o regime de urgência na tramitação do PL 9604/2018, que visa restringir de acesso de representantes de movimentos sociais ao Congresso Nacional – Debater os crimes contra defensores de direitos humanos e impunidade – Debater a atuação de grupos de extermínio – Atuar na defesa da ampliação e fortalecimento, inclusive com aumento orçamentário, para as Defensorias Públicas – Debater o controle externo da atividade policial – Debater a questão dos

Leia Mais »